Sexta-feira, 13 de Junho de 2008

Alzira

Eis que chega mais um poema! Desta vez desafiaram-me para brincar um bocadinho com as palavras.
Estive no passado fim-de-semana em Malhadas da Serra, aldeia onde o meu pai nasceu e onde vou regularmente. Desta vez fomos festejar o aniversário do meu pai e seu irmão gémeo Izidro Alves, que completaram os 50 anos de idade.
Ora o meu pai antecipadamente, lembrou-se que eu poderia escrever um poema em recordação à sua mãe (Alzira) por este meio século passado, em que me baseasse em episódios vividos no seu tempo de infância e ao longo da sua vida.
Este foi um poema que me deu imenso prazer escrevê-lo. Foi como se tivesse passado para a pele dos manos Alves através de histórias que o meu pai tem-me contado nos ultimos anos. Por momentos passei a ser outra pessoa, com outras raízes, com outra perspectiva de vida, com outra alegria...
Aqui fica o poema intitulado Alzira






Meio século passou
Quando na tapada do forno
Nossa mãe mostrou-nos a luz do dia.
Ao calor do fogão aceso.
O nosso lar em clima de alegria.

Nascemos num berço pobre
Mas o amor que o pai e a mãe nos deu
Sempre compensou qualquer bem material.
Foram tempos difíceis
Mas graças a Deus, não houve fome nem sede
E as ribeiras corriam para regar o nosso quintal.

Crescemos e entrámos na escola
Em dias de chuva a pé fazia-se o caminho até Pessegueiro
e tu Izidro, maninho irrequieto
Atiravas-me pedrinhas e furavas a lancheira
Que a mãe preparava com tanto carinho.

Tempos de criança passaram
Mas a nossa mãe continuava sempre a acompanhar
Ainda me lembro como se fosse hoje
Chegada a hora de cumprir serviço militar
E tu levavas-me à serra para a carreira eu tomar.

Mais tarde chegaram os tempos da capital
O nosso emprego, o lar e o Pedro - O neto mais novo que o pai ainda conheceu.
Tu mãe, continuas-te aqui nas Malhadas
E com saudade nos aguardavas até voltarmos à terra que nos viu nascer.

E agora aqui estamos mãe, eu e o mano a prestar esta homenagem
Pela grande mulher que foi, pela sua coragem e força de vida.
Estarmos hoje aqui não tem outra razão a não ser: Alzira.

2 comments:

Gang da Melanina disse...

Pedro Pedro... Como nos trocas pelo discovery channel? Por enquanto os nossos posts são de facto mais lúdicos do que educacionais, mas brevemente esperamos surpreender-te com teorias fascinantes. Até lá, agradecemos que continues a visitar-nos. Faremos o mesmo... É sempre bom ler poesia e sempre um prazer ler boa poesia.
Cumprimentos,

O Gang da Melanina

Teresinha Sanches de Baêna disse...

Há muito tempo que não visitava o teu blog, continua óptimo! Parabéns!

Conheces a obra de António Manuel Couto Viana? É muito bonita, aqui fica uma sugestão =)
Beijinhos